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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Otimo !
" UM DIA DE MERDA "
Luiz Fernando Veríssimo
Aeroporto Santos Dumont, 15:30 .
Senti um pequeno mal estar
causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.
Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão,
de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas .
Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.
"Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha
esperta, tranqüilo ."
O avião só sairia as 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários .
Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha
gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras
assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu
amigo que me acompanhava e, sutil, falei: "Cara, mal posso esperar
para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro"
Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a
força de vontade para trabalhar e segurei a onda . O ônibus nem
tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse
pelo alto falante:
"Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará
em torno de 1 hora, devido à obras na pista ." Aí o
urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo
para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus
a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom
amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório
veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por
enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo
TV mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém
poderia botar seu almoço nele . E o papel higiênico então: branco
e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado
entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi,
consternado, que havia cagado .Um cocô sólido e comprido daqueles que dão
orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que da vontade de ligar pros
amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada.
Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a
situação tava tensa . Olhei para o meu amigo, procurando um pouco
de solidariedade, e confessei sério : "Cara, caguei."
Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois,
aconselhou - me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.
"Que se dane, me limpo no aeroporto " - pensei .
"Pior que isso não fico ." Mal o ônibus entrou em movimento, a
cólica recomeçou forte .
Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude
evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda .
Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que e lado,
borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa,
pernas, panturrilha, calças, meias e pés .
E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líquida, das que
queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade . E depois um
peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que
era um peidinho para quem já estava todo cagado.
Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa . E me caguei pela
quarta vez .
Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que
resolveu botar modess na cueca , mas colocou as linhas adesivas
viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pelos do
rabo junto . Mas era tarde demais para tal artifício absorvente .
Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia
me ajudar a limpar a sujeirada .
Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos
curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no
bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que
eu pudesse trocar de roupas.
Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei a falta de
papel higiênico em todos os cinco . Olhei para cima e blasfemei:
"Agora chega, né ?"
Entrei no último, sem papel mesmo, e
tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e
esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e
com ela uma lufada de dignidade no meu dia .
Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o "check-in "
e ia correndo tentar segurar o vôo . Jogou por cima do boxe o
cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer
protesto de minha parte . Ele tinha despachado a mala com roupas.
Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V". A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus .
Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de
algum modo, aproveitáveis . Minha cueca , joguei no lixo . A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda .
Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10
Teria que improvisar . A invenção é mãe da necessidade, então
transformei uma simples privada em uma magnifica máquina de lavar.
Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei
a parte atingida na água..
Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu .
Estava pronto para embarcar . Saí do banheiro e atravessei o
aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem
meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho
(não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa
Mas caminhava com a dignidade de um lorde.
Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando
" O RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor até
o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria . A aeromoça
aproximou-se e perguntou se precisava de algo . Eu cheguei a
pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro
de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas
decidi não pedir:
"Nada , obrigado . Eu só queria esquecer este dia de merda !!! "
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Paciencia !
Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados...
Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"...
E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça".
Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito,
a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...
NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL...
SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...
"Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional."
Arnaldo Jabor
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